quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mangaratiba

A tarde cai tranquila neste lugar tão sereno. Caminho descalço pela areia da praia a passos tortos, desejando ter uma garrafa de qualquer coisa alcoólica em mãos e maldizendo ligeiramente o azar de ainda ser menor. Meus cabelos caem nos olhos, me distraem por um momento e me tiram um pouco de mim. Faz tempo que não caminho assim, sozinho na praia e com as ondas molhando os pés. Estava mesmo precisando pensar, me resolver de uma vez por todas.

No fim da praia há pedras que margeiam o canal. Do outro lado dele, outra praia, uma prainha pequena cheia de conchas aonde ninguém nunca vai. Tiro a camisa e a deixo sob uma pedra, mergulho no canal e o atravesso. A areia aqui é mais macia; aqui o mundo não faz nenhum sentido. Continuo a caminhar, ora de cabeça baixa, ora fitando o horizonte.

Não há absolutamente ninguém ao redor, isso me deixa em paz. Resolvo nadar outra vez, agora no mar. Ao me despir, dou uma última olhada ao redor: ninguém. Sorrio e entro na água morna, sinto-a me envolvendo, sinto seu gosto salgado. É inevitável que Vento no litoral toque na minha cabeça, como se eu estivesse dentro da música, e não ela dentro de mim.

A cada braçada o cansaço aumenta e fico mais contente de não estar em casa, naquela cidade doentia. Meus músculos começam a arder, então boio por um bom tempo pensando na vida. Em momentos assim, em que nada importa e não há mais preocupação, penso num sem-número de coisas. Sobre passado, amigos e quem é ou foi mais do que só uma amizade. Penso também no futuro, mas ele não é claro, então resolvo apenas me concentrar no aqui, agora, na calmaria desses instantes breves e serenos.

Saio da água cansado. O Sol já começa a se inclinar. Me visto e subo na pedra em que as ondas quebram. Basta sentar, olhar o pôr-do-sol e sentir a brisa me trazer pequenas gotas salgadas ao rosto.

Não tenho mais preocupações, tudo está tranquilo. Agora não preciso mais me importar, apenas atiro minhas decepções e mágoas de tudo e de todos ao vento.

E ele vai levando tudo embora...


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Curto diálogo

- O que você está lendo?

- "...por pouco tempo que a náusea dure nas pessoas, haverá centenas de suicídios."

- É, Mário, é triste a vida sem deus.

Será mesmo essa a distração que todo mundo usa pra não ter que suportar totalmente a existência?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Todo carnaval tem seu fim


Eu não pensei que fosse chorar. Está tudo acabando, mas eu não queria perceber: eu queria me enganar até quando pudesse sobre o fim. Hoje não pude mais.

Sonhei com esse dia por todos esses anos e desejei que ele chegasse logo, mas, agora que chegou, olho para trás, para tudo o que ficou em mim depois de tanto tempo nesse lugar, e finalmente percebo que apesar de tudo eu não queria mesmo que acabasse de jeito nenhum, porque em nenhum outro lugar eu vou viver o que vivi aqui dentro. Onde mais isso é possível?

Afinal de contas, estou muito mais triste do que feliz. Acabou. Estranho dizer isso outra vez. "Acabou". Mas acabou o quê? E o fato de ter acabado é bom ou ruim? Até um ano atrás não existia nada melhor do que poder dizer "Acabou" ao final de um ano, agora já não é mais assim, porque eu sei que não vou estar de volta em fevereiro nem vou ver todos os grandes amigos, melhor dizendo, irmãos que cresceram comigo e que têm uma vida em comum com a minha. Vivemos aqui juntos por tanto tempo e agora vamos nos separar. Somos os filhos saindo de casa, somos uma família que segue seu rumo, cada um para um lado seguindo o próprio caminho.

Mas quantas boas lembranças não temos juntos? Quantas vezes rimos até nossas barrigas doerem? Enfim, como conseguimos sobreviver durante tanto tempo nessa rotina maluca? É difícil responder, mas eu sei que se não fosse por termos uma amizade tão fraterna, se não fosse por sermos tão unidos, nunca conseguiríamos.

Tanto a lembrar e tanto a dizer. Quando chega a hora da despedida, não quero acreditar. Quando ouço tocar o sinal pela última vez, não posso impedir meu estômago de se embrulhar nem posso evitar as lágrimas que me vêm ao rosto. No almoço, o último almoço no refeitório, todos ficam de cabeça baixa tentando conter o choro, mas poucos conseguem; quase todos choram baixo e tentam disfarçar fungando ou fingindo que coçam os olhos. O tempo passa e começamos a nos despedir como alunos. Abraços e choros, todos vão sentir saudades, mas a vida segue em frente.

Por fim, é hora de ir. Desço as escadas e a cada andar derramo lágrimas pelas lembranças que me vêm de todos esses anos, a cada degrau lamento o fim de um período tão longo e tão bom. E, na saída, hesito alguns momentos antes de ir. Não quero ir embora nem dar adeus. Agora que acabou quero ficar, mas não posso. Não me dou ao trabalho de secar o rosto. Não tenho coragem de olhar para trás, para o prédio e para a ladeira que tanto me marcaram. Eu apenas sinto uma tristeza suave e carrego em mim as lembranças do grande prazer que foi estudar aqui com ótimos professores e alunos brilhantes, que hoje posso chamar de amigos pra vida inteira.

A todos vocês, senhores, um grande abraço beneditino e um até breve.

sábado, 27 de novembro de 2010

Tempo Perdido

Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente,
Não temos tempo a perder.

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem,
selvagem,
selvagem...

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus
Olhos castanhos
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo...

Não tenho medo do escuro,
Mas deixe as luzes acesas agora,
O que foi escondido é o que se escondeu,
E o que foi prometido,
Ninguém prometeu.

Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens,
tão jovens,
tão jovens...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tanta confusão por aí e eu com a minha habitual indiferença ao mundo de fora. Sinceramente, não quero saber das coisas que estão explodindo porque as pessoas mais parecem múmias conservadoras de pensamento entrevado. Agora tá todo mundo nesse desespero e ninguém sabe por quê. Talvez seja prepotente da minha parte pensar assim, mas eu realmente não me importo; nada disso me interessa. Seria melhor se eu pudesse ir pra longe e esquecer toda essa babaquice.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Coisas aleatórias

Lendo coisas antigas é inevitável sentir uma saudade que chega até a doer um pouco. Eu começo a ver como o tempo passa, e passa rápido. É meio assustador pensar que tanta coisa já ficou pra trás. Mas acho que ainda tem tanto pela frente que não vale a pena ficar pensando e se prender a isso.

Ando pensando seriamente em voltar a velhos hábitos assim que puder, mas com tanta coisa que tenho pra fazer nem sei se vai dar tempo.

Vou escrever uma lista de coisas a fazer durante as férias pra organizar tudo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Calígula

Que estás a beber, Mereia?

Mereia

É para a minha asma, Caius.

Calígula, avança para ele afastando os outros e cheira-lhe a boca

Não, é um contraveneno.

Mereia

Oh!, não, Caius, podes crer. Queres brincar comigo. Sufoco durante a noite e já há bastante tempo que me trato.

Calígula

Queres dizer que tens medo de ser envenenado?

Mereia

A minha asma...

Calígula

Não. Chamemos as coisas pelo seu nome: tens medo que te envenene. Desconfias de mim. Espias-me.

Mereia

Nunca, por todos os deuses!

Calígula

Suspeitas de mim.

Mereia

Caius!

Calígula, rudemente

Responde. (Matemático) Se tomas um contraveneno atribuis-me por consequência a intenção de te envenenar.

Mereia

Sim... quero dizer... não.

Calígula

E a partir do momento em que julgas que tomei a decisão de te envenenar, fazes o possível por te opor a essa vontade.
(Silêncio...)
São dois crimes e uma alternativa donde não podes sair: ou eu não te queria matar e suspeitas de mim injustamente, de mim, o teu Imperador, ou queria, e então tu, insecto, ousaste opor-te aos meus desejos. (Pausa. Calígula contempla o velho com satisfação.) Hem, Mereia, que dizes a esta lógica?

Mereia

É... é rigorosa, Caius. Mas não se aplica ao meu caso.

Calígula

E, terceiro crime, tomas-me por um imbecil. Ouve-me bem. Destes três crimes, só um é honroso para ti, o segundo - porque, prestando-me determinada intenção e opondo-te a ela, manifestas em ti uma revolta. És um agitador, um revolucionário. Isso é bonito. (Tristemente.) Gosto muito de ti, Mereia. Eis a razão por que apenas te condeno pelo segundo crime. Vais morrer virilmente, por te teres revoltado.
(Durante todo esse discurso, Mereia vai se levantando lentamente do seu assento.)
Não me agradeças. É absolutamente natural. Toma. (Estende-lhe um frasco. Amavelmente.) Bebe este veneno.
(Mereia, soluçando, acena com a cabeça negativamente. Impacientando-se.)
Anda, vamos.
(Mereia tenta escapar-se. Mas Calígula, de um salto felino, alcança-o a meio da cena, atira-o para cima de um tamborete e, após breve luta, enfia-lhe o frasco pela boca adentro, abrindo-lhe os dentes cerrados. Depois de algumas convulsões, Mereia morre com a cara cheia de água e de sangue. Calígula levanta-se e enxuga maquinalmente as mãos. A Cesônia, dando-lhe um fragmento do frasco de Mereia.)
Que é isso? Um contraveneno?

Cesônia, calmamente

Não, Calígula. É um remédio contra a asma.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chegou cedo

Quando as primeiras cigarras começam a cantar, já se sabe que o verão vem vindo depressa. E os sintomas vêm junto. O calor e o bafo quente fazem transpirar e passar dias inteiros melado de óleo e suor. Precisa-se de banhos, muitos banhos. Água fria para satisfazer a vontade de se refrescar desses corpos lânguidos e preguiçosos de verão.

A estação mudou, pode-se sentir nos ventos leves que passam de tarde e no ar parado da noite. As pessoas sãs usam roupas leves e claras e parecem mais tranquilas, soltas e despreocupadas. Todos vão por aí lentamente, e, a princípio estranho, um cheiro que é velho conhecido de todos se faz presente no ar dos novos dias; cheiro de férias, de merecido descanso. Tudo é novo e agradável, e eu agora sustento um sorriso discreto no rosto.

É verão.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

No fim das contas, o melhor mesmo é não ter esperança.

sábado, 6 de novembro de 2010

Olho pro lado. A moça é de meia idade, negra e gorda, muito gorda. Ela recebe a prova e começa a folheá-la, olhando as questões através dos óculos, com o nariz em pé e cara de conteúdo, passando as páginas com um ar onisciência. Chega a ler algumas e logo deixa a prova de lado, cruza os braços e começa a olhar pra tudo, menos pra prova. Olha pros fiscais, pros candidatos, lá pra fora, pras paredes, pro teto e pro chão. E, como num estalar de dedos, ela já sabe a resposta pra tudo. Cata o cartão-resposta, preenche-o, entrega ao fiscal e vai embora. Tudo isso em menos de duas horas.

Poxa vida.

Me senti mal com isso. Estudei o ano inteiro e demoro quatro horas e meia e quase não dá tempo de fazer tudo. Às vezes eu queria ser inteligente como ela, quanto essas pessoas que conseguem fazer noventa questões como se fossem nove.
---
era tanta gente burra num lugar só que eu não sabia se devia ficar triste ou feliz.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Com a testa encostada no vidro da janela, ouço você falar atrás de mim. O que você fala não faz sentido, mas afinal de contas nada faz, muito menos eu. Focalizo a chuva ali fora e então fecho os olhos, aguço meu tato e minha audição para sentir o vidro frio e o barulho da chuva. Tento prestar atenção, mas não escuto o que você diz.

Não suporto mais ficar aqui, não sei bem por que. Saio correndo sem nem olhar para você. Não vi seu rosto de surpresa e espanto ao sair. As gotas da chuva fina me atingem o rosto e eu não paro de correr. Aos poucos diminuo o ritmo, com um quê de desespero e cansaço tomando meus membros. Finalmente paro, exausto, e sento encharcado no chão da rua. Em algum tempo você chega andando com preocupação, põe a mão sobre meu ombro, então arrisca me envolver num abraço tão apertado que chego a sentir o seu coração bater, e pergunta com a voz que ainda há pouco embalava meu sono, sem saber que não há mesmo resposta,

- O que aconteceu?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Em certas situações, responder 'nada' a uma pergunta sobre a natureza de seus pensamentos pode ser uma finta de um homem. Os seres amados sabem disso. Mas se a resposta for sincera, se expressar aquele singular estado de alma em que o vazio se torna eloquente, em que se rompe a corrente dos gestos cotidianos, em que o coração procura em vão o que lhe falta, ela é então um primeiro sinal do absurdo.

Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o "por quê" e tudo começa a entrar numa lassidão tingida pelo assombro. Começa, isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência. Ela o desperta e provoca sua continuação. A continuação é um retorno inconsciente aos grilhões, ou é o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a consequência: suicídio ou restabelecimento."

Eu entendo, só isso.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

Nessas noites de estrelas, ondas e conversas

a gente vê como o mundo é tão errado, como tudo devia ser diferente. Eu podia falar mais, mas acho que eu ia me encher de escrever. Só tá tudo tão... mundo. As coisas deviam ser diferentes, de um jeito que eu não consigo explicar. A gente pensa, pensa, pensa, mas traduzir momentos assim é algo que não consigo fazer. Sei lá. Talvez seja melhor me contentar em olhar as estrelas, ouvir o som do mar e ver a noite sem tentar escrever nada. As luzes da cidade, a baía, o céu, e isso é tudo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

E

no meio desses dias todos e dessa vida que vai, gauche que só ela, eu chego a algumas conclusões.
Chocolate é o melhor doce, não tem nada que chegue perto, nada digno de ser comparado ao mais maravilhoso derivado do cacau.
Lô Borges pode viciar, assim como Beirut.
Camus é melhor que Clarice - não, isso não é nada além do óbvio -; os livros e as ideias dele realmente foram dignos de um Nobel.
Por falar em Nobel, o Rubem Fonseca merece um, muito mais do que o Saramago.
A lei de Murphy é a mais pura verdade.
E essas são algumas das poucas certezas que eu tenho. Talvez elas mudem hoje ou amanhã, mas são as certezas de agora.
Quem se importa se tá tudo errado? Eu não.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

La vita è bella

É, pois é. Que blog mais diário, esse aqui. Há uns dias guardei cartas que recebi e algumas que não mandei numa caixa de madeira, quanta lembrança ali dentro. Tô a fim de voltar a escrever aqueles contos de antigamente. Vou ter uma espécie de folga acadêmica por um tempo e quem sabe eu até escreva algo, sem pressa nenhuma, sem obrigação nenhuma. Melhor assim. Vendo filmes, lendo livros - por falar em livros, preciso passar no sebo pra comprar mais -, rabiscando bobagens, a vida vai devagar, devagar e nem sempre. Até agora, pelo menos, as coisas vão tranquilas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Hoje foi um desses dias que passam sem eu perceber. O tempo inteiro no mesmo lugar, com o pensamento nas mesmas coisas, fora de tudo. É assustador esse êxito em me desligar do mundo e me concentrar em abstrações que não condizem com nada, que não fazem qualquer sentido. É assustadora, também, a idéia de não ter pensado tanto na vida, de não ter sonhado tanto quanto costumo. E esse insupotável sentimendo de ser um robô, de ser um covarde por só ter olhado pra baixo, pra esses papéis o dia inteiro. O que tem de errado? Eu sei, mas não quero ver, não quero suportar a verdade sobre mim mesmo; as mentiras já são um fardo demasiadamente incômodo. Passar horas a fio, perder as horas diante disso não faz bem, só esvazia de vida, de tudo. Tudo começa a pesar demais, a nausear. Fico tonto, as coisas só giram e giram e giram. Tenho enjôo, sinto essa vontade incontrolável de vomitar, meu estômago se embrulha e parece sumir.

A esperança de alívio já se tornou vaga. Será que vai ser sempre assim? Porque se for, não sei se quero continuar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Todo dia

no descompasso
dos meus passos
me faço
mais um entre os outros.

Eu devia estudar

química. Tem prova sábado e eu não sei nada de nada, mas não consigo me concentrar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Me pergunto se a vida vai melhorar algum dia. Queria que esse dia chegasse logo.

domingo, 1 de agosto de 2010

As "férias" de julho são uma das maiores enganações já inventadas. Duas semanas não dá tempo pra nada. Não quero voltar à escola. Não quero ter provas todo sábado. Não quero ter aulas o dia inteiro e deixar de viver mais um semestre por causa delas. Não quero estudar desesperadamente sem objetivo nenhum. Não quero, não quero, não quero.

Sei lá, acho que ninguém realmente faz idéia de como eu estou triste e irritado por ter que começar tudo de novo amanhã. Estou pensando seriamente em não dar mais a mínima e arrastar a bunda até o final. Não aguento mais, mesmo.

O fato é que minha vida vai se tornar uma merda de novo a partir de amanhã.

Nessas horas me pergunto por onde andarão meus padrinhos mágicos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

As férias já estão pra acabar e eu realmente não consigo conceber a idéia de ter que acordar às seis da manhã de novo. Mas acho que só de ter ficado um tempo fora da escola já valeu. Afinal, isso é melhor que nada, né?

Descobri que não consegui fazer tudo o que queria, mas mesmo assim foi ótimo. Conhecer gente nova, fazer amigos, ir ao clube, ficar no píer, escrever uma carta, entregá-la, morrer de vergonha, ficar feliz depois disso, ir à praia, ser entendido e entender alguém de um jeito que eu não achava que fosse possível...

Me sinto feliz, apesar de tudo, me sinto bem, e acho que isso é o suficiente.

domingo, 18 de julho de 2010

Férias, enfim.

Ando notando como os sentimentos são interessantes. É engraçado pensar em como as coisas mudam, evoluem.

A vida vai bem, fora a escola. Menos de seis meses e acabou: liberdade. Ou não, vai saber.

Tenho uma carta pra entregar, mas tenho que reescrevê-la. Minha destinatária já anda irritada, cobrando todo santo dia, mas não sei pra quê. Ela já sabe o que tá escrito. Calma, Juju, um dia você vai ler, prometo.

Ouço Philip Glass no momento. Lembra do blog antigo e dá vontade de voltar a escrever nele. Pena (?) que não tenho mais escrito naquele estilo. Ou por preguiça ou por a fonte ter secado mesmo, não sei bem.

Enfim. Vou levando a vida, ou arrastando-a - torto no meu canto; nem sei por que ainda escrevo isso -, talvez por ser gauche feito Drummond.

Às vezes é bom escrever qualquer coisa nesse blog, só pra tirar um pouco de tudo que tem aqui dentro querendo sair mas não tenho tempo de colocar em palavras.

Agora vou-me.

PS: Agradeço à fiel leitura do meu leitor mais assíduo, o senhor José Méugnin, a quem sou muito grato pelo apoio e incentivo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Hecatombe intestinal

Não é nada agradável passar mal o dia inteiro. Vai pro hospital, volta do hospital. Remédio, analgésico, isso, aquilo. Bla bla bla.

Ficar doente é uma merda.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Honestamente

não faço questão de nenhum seguidor. Antes, no outro blog, eu até me importava em conseguir mais alguns, por vaidade ou falta do que fazer.

Mas o fato é que agora não dou a mínima pra quem lê ou não. Acho que parei de escrever 'pros outros', o que - confesso - fazia antes. Agora escrevo pra mim mesmo, realmente não me importo mais com o que acham ou deixam de achar. Me sinto mais feliz assim. Não tenho a sensação de ter que atender a alguma expectativa.

Pra mim já não importa mais. Que se fodam vocês todos!

domingo, 13 de junho de 2010

Tirar A na uerj

realmente não é nada demais. Ninguém ficou animado nem comemorou. Só me deram parabéns e olhe lá.

Confesso que isso me desanimou. Foi broxante.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Devaneio sobre o Mundial

Mário mau diz:
\o/
copa do mundo é uma coisa muito foda.
se eu pudesse faltaria todas as aulas pra ficar em casa vendo os jogos.
João Linhares diz:
Sim, verdade.
O clima é muito bom né cara?
Ainda mais em ano de vestibular.
Mário mau diz:
sim
porra
acho que o que faz a copa tão mágica
é que a cada copa você tá vivendo uma fase diferente da sua vida
e ela traz aquelas lembranças de quatro anos atrás
tipo
eu lembro de 2002
cara
foi um marco na minha infância.
João Linhares diz:
SIIIIIM !!!
CARALHO !!!
Pura verdade !

Clima de Copa...

... definitivamente não tem NADA a ver com prova de uerj.

terça-feira, 8 de junho de 2010

meu palpite pra copa do mundo...

... é que o Brasil não ganha.

(mas vou torcer pra chegar até a final pra eu poder perder bastante aula.)

Ponto.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pastiche Drummond-Camusiano

te amo porque sim
e acabou.
te amo porque
não tenho mais o que fazer.
te amo assim
da noite pro dia
te amo porque vivo,
porque sou um bolo de carne ambulante.

(Mas tenha em mente por favor
que eu não quero nada com você.
Eu só te amo por amar
e acabou.)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Porque no final...

... eu sei que vai ser sempre a mesma coisa.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Semáforo carioca

Com a mão estendida:

- Ei, tio, dá um trocado aí, tio.

Dou um tapa na cabeça do moleque e o mando ir estudar.

Com a 9 milímetros:

- Perdeu, cumpadi.

Entrego o veículo e o assisto a se distanciar no negrume noturno.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ócio II

Em dias assim tenho vontade de sair velejando por aí...

O vento me agrada. Quero deixar esse lugar pestilento e sentir o cheiro de algas e sal na brisa.

O mar me espera, muito em breve estarei lá.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ócio I

A luz fugidia do outono se esvai aos poucos. O café fica imerso na penumbra enquanto o sol poente se afasta e o ar brumoso se move languidamente, sem um sopro de vento para renová-lo ou trazer algum outro cheiro. Ao sentarmos aqui, a vida parece não correr lá fora, o tempo só é percebido pela luz que nos abandona cada vez mais apressada. Estamos entregues a isso. O calor ainda é insuportável, a ponto de não existir quem ouse se mover aqui dentro. Tudo vai se tornando azul; o ar, as mesas, as cadeiras, o chão, nós. Azuis. Vidas azuladas e sem objetivos, são o que somos.

É só mais um dia. Todos aguardam a morte com paciência. E assim os anos passam, com pessoas fadigadas da vida esperando a hora de serem levadas para dentro das névoas que as aguardam depois do túmulo.

A vida, o sol que nos abandona, o calor, a luz azulada das tardes de outono, o cansaço, a morte. E mais um dia se vai.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Das paixões, livros, tédio, cigarros e afins

Hoje lembrei de uma jovem moça que se declarou para mim. Não cheguei a responder direito, só disse algumas frases que a deixaram confusa.

A verdade é que sinto preguiça dessas coisas. Relacionamentos, sentimentos, amor, compromisso, problemas conjugais, etcetera e tal. Penso em tudo isso, e então o que me toma é indiferença, porque sinto tédio ao lembrar que ela há de me cobrar a atenção que não tenho e tampouco faço esforço para ter; aquilo não me interessa.

Sim, o sexo é bom, talvez o lado compensador depois de tantos reveses de um casal. Mas o tempo dedicado a algo assim é o que não estou disposto a gastar, por mais intenso que seja o orgasmo. Portanto sinto mais prazer em sentar-me só à cadeira de um café qualquer sem fazer nada, apenas olhando ao redor, para as pessoas que passam por aí ou para a baía. As tardes passam, as noites chegam de uma hora pra outra e com elas algumas luzes se acendem.

Outro dia vai assim, e não há necessidade de mais nada. Basta, penso comigo, me dedicar a viver o tempo que resta em toda a sua extensão, em liberdade e sem qualquer maior ocupação. Por vezes coloco-me a admirar a fumaça que sobe desse cigarro ou leio um livrou ou outro e é tudo; chega.

O fato é que não consigo mais amar por questão de achar tudo demasiadamente monótono, tedioso, e também por se tratar sempre da mesma história; "eu te amo", gemidos e noites agitadas, "vamos casar", "você não me ama", "você tem outra", "adeus", "me perdoa", "eu te amo"... E tudo se repete.

Suspiro de pena ao sentir o cansaço de todos os que passam por isso. Levo bem a vida entregue a mim mesmo, aos livros e aos meus pensamentos soltos, e por vezes sem finalidade, indo desvairados por qualquer reflexão fútil.

Trezentos e vinte e nove dias

... e contando.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dias vãos

Qualquer lugar é melhor do que este. O Sol não parece brilhar aqui, e os dias passam transparentes, líquidos, secam sem deixar muitos rastros além de um pouco mais de saturação e algumas rugas.

Saio às ruas e vejo o mundo real, muito longe de onde estou. Neste apartamento, porém, estão todos os rancores e mágoas que ainda tenho, junto destas pessoas que me recuso a nomear.

Então me refugio, enquanto posso, em qualquer coisa que seja mais semelhante à realidade, porque esta que vivo se mostra cada vez mais falsa e vazia. Isso me faz ler os livros vorazmente, porque as palavras que neles vejo me parecem mais vivas do que as que escuto sair da boca dos que me cercam e vigiam, dia e noite.

Basta!, penso, basta de dias vãos! Preciso dar o fora assim que puder. Minhas entranhas pedem por liberdade em silêncio, noite após noite, numa sucessão ininterrupta de pensamentos que anseiam por uma vida plena.

Olho para dentro de mim, entretanto, e sinto-me incapaz.

Agora um deles entra no quarto.

Vai começar tudo de novo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Píer

A água é plácida e a brisa é leve. A noite chega do nada, vem vindo rapidamente e toma o céu. As luzes se acendem ao redor da baía. Observamos, ouvimos, sentimos.

É o sufuciente.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Aeroporto

Numa placa de loja de aeroporto lê-se: "Never give up, keep on shopping!"

As pessoas parecem ocupadas demais escolhendo o que comprar, já abarrotadas de bolsas cheias. No Duty Free é mais barato. "Puxa, que sorte!", pensam, "A promoção é justo no dia em que estou passando por aqui!". A loja diz que a promoção é só hoje.

Outros preferem comer. Enchem a boca com avidez, mastigam com concentração e nervosismo. Todos parecem galinhas esperando o abate, com os olhos esbugalhados e perdidos, sem entender o que se passa.

Não gosto dessas pessoas. Não gosto das suas sacolas sacolejando pra lá e pra cá. Não gosto do barulho ininterrupto da mastigação nervosa.

Definitivamente prefiro pegar a estrada.

Naufrágio

Gritos ao vento,
vidas ao mar.
Deriva lenta
vai devagar.
Devagar...
Devagar...
Afundar...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sim, é só mais um blog

E não vou escrever nada elaborado aqui.

É só para os devaneios de cada dia, algum lugar para colocar passar as anotações do caderno que carrego comigo, nada funcional ou inteligente, e por vezes bastante tolo.

Enchi-me dos outros blogs. Já me sentia como que obrigado a escrever lá e acabava não conseguindo pôr nada neles. Enfim. É só mais um blog e o criei inspirado no de um amigo. Um dia encho o saco desse aqui, abandono e faço um novo.

Por ora é só.

Saudações de Yucatán.