quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Todo carnaval tem seu fim


Eu não pensei que fosse chorar. Está tudo acabando, mas eu não queria perceber: eu queria me enganar até quando pudesse sobre o fim. Hoje não pude mais.

Sonhei com esse dia por todos esses anos e desejei que ele chegasse logo, mas, agora que chegou, olho para trás, para tudo o que ficou em mim depois de tanto tempo nesse lugar, e finalmente percebo que apesar de tudo eu não queria mesmo que acabasse de jeito nenhum, porque em nenhum outro lugar eu vou viver o que vivi aqui dentro. Onde mais isso é possível?

Afinal de contas, estou muito mais triste do que feliz. Acabou. Estranho dizer isso outra vez. "Acabou". Mas acabou o quê? E o fato de ter acabado é bom ou ruim? Até um ano atrás não existia nada melhor do que poder dizer "Acabou" ao final de um ano, agora já não é mais assim, porque eu sei que não vou estar de volta em fevereiro nem vou ver todos os grandes amigos, melhor dizendo, irmãos que cresceram comigo e que têm uma vida em comum com a minha. Vivemos aqui juntos por tanto tempo e agora vamos nos separar. Somos os filhos saindo de casa, somos uma família que segue seu rumo, cada um para um lado seguindo o próprio caminho.

Mas quantas boas lembranças não temos juntos? Quantas vezes rimos até nossas barrigas doerem? Enfim, como conseguimos sobreviver durante tanto tempo nessa rotina maluca? É difícil responder, mas eu sei que se não fosse por termos uma amizade tão fraterna, se não fosse por sermos tão unidos, nunca conseguiríamos.

Tanto a lembrar e tanto a dizer. Quando chega a hora da despedida, não quero acreditar. Quando ouço tocar o sinal pela última vez, não posso impedir meu estômago de se embrulhar nem posso evitar as lágrimas que me vêm ao rosto. No almoço, o último almoço no refeitório, todos ficam de cabeça baixa tentando conter o choro, mas poucos conseguem; quase todos choram baixo e tentam disfarçar fungando ou fingindo que coçam os olhos. O tempo passa e começamos a nos despedir como alunos. Abraços e choros, todos vão sentir saudades, mas a vida segue em frente.

Por fim, é hora de ir. Desço as escadas e a cada andar derramo lágrimas pelas lembranças que me vêm de todos esses anos, a cada degrau lamento o fim de um período tão longo e tão bom. E, na saída, hesito alguns momentos antes de ir. Não quero ir embora nem dar adeus. Agora que acabou quero ficar, mas não posso. Não me dou ao trabalho de secar o rosto. Não tenho coragem de olhar para trás, para o prédio e para a ladeira que tanto me marcaram. Eu apenas sinto uma tristeza suave e carrego em mim as lembranças do grande prazer que foi estudar aqui com ótimos professores e alunos brilhantes, que hoje posso chamar de amigos pra vida inteira.

A todos vocês, senhores, um grande abraço beneditino e um até breve.

2 comentários:

  1. Obrigado por esse texto, Mário. Você não tem noção do quão triste eu fico em nunca mais te ver, cara. Porra, eu não aguento mais chorar pensando nisso, por isso não vou extender meu comentário.

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  2. Mário, tudo que você falou é mais do que uma opinião. É a pura realidade de todos os formandos.. Vai ser difícil continuar, pelo menos no início. Vai bater muitas saudades, de tudo que aquele bloco de concreto representa. Obrigado pelo texto, e obrigado a todos os formandos pela companhia

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