sábado, 27 de novembro de 2010

Tempo Perdido

Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente,
Não temos tempo a perder.

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem,
selvagem,
selvagem...

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus
Olhos castanhos
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo,
Temos nosso próprio tempo...

Não tenho medo do escuro,
Mas deixe as luzes acesas agora,
O que foi escondido é o que se escondeu,
E o que foi prometido,
Ninguém prometeu.

Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens,
tão jovens,
tão jovens...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tanta confusão por aí e eu com a minha habitual indiferença ao mundo de fora. Sinceramente, não quero saber das coisas que estão explodindo porque as pessoas mais parecem múmias conservadoras de pensamento entrevado. Agora tá todo mundo nesse desespero e ninguém sabe por quê. Talvez seja prepotente da minha parte pensar assim, mas eu realmente não me importo; nada disso me interessa. Seria melhor se eu pudesse ir pra longe e esquecer toda essa babaquice.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Coisas aleatórias

Lendo coisas antigas é inevitável sentir uma saudade que chega até a doer um pouco. Eu começo a ver como o tempo passa, e passa rápido. É meio assustador pensar que tanta coisa já ficou pra trás. Mas acho que ainda tem tanto pela frente que não vale a pena ficar pensando e se prender a isso.

Ando pensando seriamente em voltar a velhos hábitos assim que puder, mas com tanta coisa que tenho pra fazer nem sei se vai dar tempo.

Vou escrever uma lista de coisas a fazer durante as férias pra organizar tudo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Calígula

Que estás a beber, Mereia?

Mereia

É para a minha asma, Caius.

Calígula, avança para ele afastando os outros e cheira-lhe a boca

Não, é um contraveneno.

Mereia

Oh!, não, Caius, podes crer. Queres brincar comigo. Sufoco durante a noite e já há bastante tempo que me trato.

Calígula

Queres dizer que tens medo de ser envenenado?

Mereia

A minha asma...

Calígula

Não. Chamemos as coisas pelo seu nome: tens medo que te envenene. Desconfias de mim. Espias-me.

Mereia

Nunca, por todos os deuses!

Calígula

Suspeitas de mim.

Mereia

Caius!

Calígula, rudemente

Responde. (Matemático) Se tomas um contraveneno atribuis-me por consequência a intenção de te envenenar.

Mereia

Sim... quero dizer... não.

Calígula

E a partir do momento em que julgas que tomei a decisão de te envenenar, fazes o possível por te opor a essa vontade.
(Silêncio...)
São dois crimes e uma alternativa donde não podes sair: ou eu não te queria matar e suspeitas de mim injustamente, de mim, o teu Imperador, ou queria, e então tu, insecto, ousaste opor-te aos meus desejos. (Pausa. Calígula contempla o velho com satisfação.) Hem, Mereia, que dizes a esta lógica?

Mereia

É... é rigorosa, Caius. Mas não se aplica ao meu caso.

Calígula

E, terceiro crime, tomas-me por um imbecil. Ouve-me bem. Destes três crimes, só um é honroso para ti, o segundo - porque, prestando-me determinada intenção e opondo-te a ela, manifestas em ti uma revolta. És um agitador, um revolucionário. Isso é bonito. (Tristemente.) Gosto muito de ti, Mereia. Eis a razão por que apenas te condeno pelo segundo crime. Vais morrer virilmente, por te teres revoltado.
(Durante todo esse discurso, Mereia vai se levantando lentamente do seu assento.)
Não me agradeças. É absolutamente natural. Toma. (Estende-lhe um frasco. Amavelmente.) Bebe este veneno.
(Mereia, soluçando, acena com a cabeça negativamente. Impacientando-se.)
Anda, vamos.
(Mereia tenta escapar-se. Mas Calígula, de um salto felino, alcança-o a meio da cena, atira-o para cima de um tamborete e, após breve luta, enfia-lhe o frasco pela boca adentro, abrindo-lhe os dentes cerrados. Depois de algumas convulsões, Mereia morre com a cara cheia de água e de sangue. Calígula levanta-se e enxuga maquinalmente as mãos. A Cesônia, dando-lhe um fragmento do frasco de Mereia.)
Que é isso? Um contraveneno?

Cesônia, calmamente

Não, Calígula. É um remédio contra a asma.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chegou cedo

Quando as primeiras cigarras começam a cantar, já se sabe que o verão vem vindo depressa. E os sintomas vêm junto. O calor e o bafo quente fazem transpirar e passar dias inteiros melado de óleo e suor. Precisa-se de banhos, muitos banhos. Água fria para satisfazer a vontade de se refrescar desses corpos lânguidos e preguiçosos de verão.

A estação mudou, pode-se sentir nos ventos leves que passam de tarde e no ar parado da noite. As pessoas sãs usam roupas leves e claras e parecem mais tranquilas, soltas e despreocupadas. Todos vão por aí lentamente, e, a princípio estranho, um cheiro que é velho conhecido de todos se faz presente no ar dos novos dias; cheiro de férias, de merecido descanso. Tudo é novo e agradável, e eu agora sustento um sorriso discreto no rosto.

É verão.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

No fim das contas, o melhor mesmo é não ter esperança.

sábado, 6 de novembro de 2010

Olho pro lado. A moça é de meia idade, negra e gorda, muito gorda. Ela recebe a prova e começa a folheá-la, olhando as questões através dos óculos, com o nariz em pé e cara de conteúdo, passando as páginas com um ar onisciência. Chega a ler algumas e logo deixa a prova de lado, cruza os braços e começa a olhar pra tudo, menos pra prova. Olha pros fiscais, pros candidatos, lá pra fora, pras paredes, pro teto e pro chão. E, como num estalar de dedos, ela já sabe a resposta pra tudo. Cata o cartão-resposta, preenche-o, entrega ao fiscal e vai embora. Tudo isso em menos de duas horas.

Poxa vida.

Me senti mal com isso. Estudei o ano inteiro e demoro quatro horas e meia e quase não dá tempo de fazer tudo. Às vezes eu queria ser inteligente como ela, quanto essas pessoas que conseguem fazer noventa questões como se fossem nove.
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era tanta gente burra num lugar só que eu não sabia se devia ficar triste ou feliz.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Com a testa encostada no vidro da janela, ouço você falar atrás de mim. O que você fala não faz sentido, mas afinal de contas nada faz, muito menos eu. Focalizo a chuva ali fora e então fecho os olhos, aguço meu tato e minha audição para sentir o vidro frio e o barulho da chuva. Tento prestar atenção, mas não escuto o que você diz.

Não suporto mais ficar aqui, não sei bem por que. Saio correndo sem nem olhar para você. Não vi seu rosto de surpresa e espanto ao sair. As gotas da chuva fina me atingem o rosto e eu não paro de correr. Aos poucos diminuo o ritmo, com um quê de desespero e cansaço tomando meus membros. Finalmente paro, exausto, e sento encharcado no chão da rua. Em algum tempo você chega andando com preocupação, põe a mão sobre meu ombro, então arrisca me envolver num abraço tão apertado que chego a sentir o seu coração bater, e pergunta com a voz que ainda há pouco embalava meu sono, sem saber que não há mesmo resposta,

- O que aconteceu?