Em dias assim tenho vontade de sair velejando por aí...
O vento me agrada. Quero deixar esse lugar pestilento e sentir o cheiro de algas e sal na brisa.
O mar me espera, muito em breve estarei lá.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Ócio I
A luz fugidia do outono se esvai aos poucos. O café fica imerso na penumbra enquanto o sol poente se afasta e o ar brumoso se move languidamente, sem um sopro de vento para renová-lo ou trazer algum outro cheiro. Ao sentarmos aqui, a vida parece não correr lá fora, o tempo só é percebido pela luz que nos abandona cada vez mais apressada. Estamos entregues a isso. O calor ainda é insuportável, a ponto de não existir quem ouse se mover aqui dentro. Tudo vai se tornando azul; o ar, as mesas, as cadeiras, o chão, nós. Azuis. Vidas azuladas e sem objetivos, são o que somos.
É só mais um dia. Todos aguardam a morte com paciência. E assim os anos passam, com pessoas fadigadas da vida esperando a hora de serem levadas para dentro das névoas que as aguardam depois do túmulo.
A vida, o sol que nos abandona, o calor, a luz azulada das tardes de outono, o cansaço, a morte. E mais um dia se vai.
É só mais um dia. Todos aguardam a morte com paciência. E assim os anos passam, com pessoas fadigadas da vida esperando a hora de serem levadas para dentro das névoas que as aguardam depois do túmulo.
A vida, o sol que nos abandona, o calor, a luz azulada das tardes de outono, o cansaço, a morte. E mais um dia se vai.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Das paixões, livros, tédio, cigarros e afins
Hoje lembrei de uma jovem moça que se declarou para mim. Não cheguei a responder direito, só disse algumas frases que a deixaram confusa.
A verdade é que sinto preguiça dessas coisas. Relacionamentos, sentimentos, amor, compromisso, problemas conjugais, etcetera e tal. Penso em tudo isso, e então o que me toma é indiferença, porque sinto tédio ao lembrar que ela há de me cobrar a atenção que não tenho e tampouco faço esforço para ter; aquilo não me interessa.
Sim, o sexo é bom, talvez o lado compensador depois de tantos reveses de um casal. Mas o tempo dedicado a algo assim é o que não estou disposto a gastar, por mais intenso que seja o orgasmo. Portanto sinto mais prazer em sentar-me só à cadeira de um café qualquer sem fazer nada, apenas olhando ao redor, para as pessoas que passam por aí ou para a baía. As tardes passam, as noites chegam de uma hora pra outra e com elas algumas luzes se acendem.
Outro dia vai assim, e não há necessidade de mais nada. Basta, penso comigo, me dedicar a viver o tempo que resta em toda a sua extensão, em liberdade e sem qualquer maior ocupação. Por vezes coloco-me a admirar a fumaça que sobe desse cigarro ou leio um livrou ou outro e é tudo; chega.
O fato é que não consigo mais amar por questão de achar tudo demasiadamente monótono, tedioso, e também por se tratar sempre da mesma história; "eu te amo", gemidos e noites agitadas, "vamos casar", "você não me ama", "você tem outra", "adeus", "me perdoa", "eu te amo"... E tudo se repete.
Suspiro de pena ao sentir o cansaço de todos os que passam por isso. Levo bem a vida entregue a mim mesmo, aos livros e aos meus pensamentos soltos, e por vezes sem finalidade, indo desvairados por qualquer reflexão fútil.
A verdade é que sinto preguiça dessas coisas. Relacionamentos, sentimentos, amor, compromisso, problemas conjugais, etcetera e tal. Penso em tudo isso, e então o que me toma é indiferença, porque sinto tédio ao lembrar que ela há de me cobrar a atenção que não tenho e tampouco faço esforço para ter; aquilo não me interessa.
Sim, o sexo é bom, talvez o lado compensador depois de tantos reveses de um casal. Mas o tempo dedicado a algo assim é o que não estou disposto a gastar, por mais intenso que seja o orgasmo. Portanto sinto mais prazer em sentar-me só à cadeira de um café qualquer sem fazer nada, apenas olhando ao redor, para as pessoas que passam por aí ou para a baía. As tardes passam, as noites chegam de uma hora pra outra e com elas algumas luzes se acendem.
Outro dia vai assim, e não há necessidade de mais nada. Basta, penso comigo, me dedicar a viver o tempo que resta em toda a sua extensão, em liberdade e sem qualquer maior ocupação. Por vezes coloco-me a admirar a fumaça que sobe desse cigarro ou leio um livrou ou outro e é tudo; chega.
O fato é que não consigo mais amar por questão de achar tudo demasiadamente monótono, tedioso, e também por se tratar sempre da mesma história; "eu te amo", gemidos e noites agitadas, "vamos casar", "você não me ama", "você tem outra", "adeus", "me perdoa", "eu te amo"... E tudo se repete.
Suspiro de pena ao sentir o cansaço de todos os que passam por isso. Levo bem a vida entregue a mim mesmo, aos livros e aos meus pensamentos soltos, e por vezes sem finalidade, indo desvairados por qualquer reflexão fútil.
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