A luz fugidia do outono se esvai aos poucos. O café fica imerso na penumbra enquanto o sol poente se afasta e o ar brumoso se move languidamente, sem um sopro de vento para renová-lo ou trazer algum outro cheiro. Ao sentarmos aqui, a vida parece não correr lá fora, o tempo só é percebido pela luz que nos abandona cada vez mais apressada. Estamos entregues a isso. O calor ainda é insuportável, a ponto de não existir quem ouse se mover aqui dentro. Tudo vai se tornando azul; o ar, as mesas, as cadeiras, o chão, nós. Azuis. Vidas azuladas e sem objetivos, são o que somos.
É só mais um dia. Todos aguardam a morte com paciência. E assim os anos passam, com pessoas fadigadas da vida esperando a hora de serem levadas para dentro das névoas que as aguardam depois do túmulo.
A vida, o sol que nos abandona, o calor, a luz azulada das tardes de outono, o cansaço, a morte. E mais um dia se vai.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
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