segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Com a testa encostada no vidro da janela, ouço você falar atrás de mim. O que você fala não faz sentido, mas afinal de contas nada faz, muito menos eu. Focalizo a chuva ali fora e então fecho os olhos, aguço meu tato e minha audição para sentir o vidro frio e o barulho da chuva. Tento prestar atenção, mas não escuto o que você diz.

Não suporto mais ficar aqui, não sei bem por que. Saio correndo sem nem olhar para você. Não vi seu rosto de surpresa e espanto ao sair. As gotas da chuva fina me atingem o rosto e eu não paro de correr. Aos poucos diminuo o ritmo, com um quê de desespero e cansaço tomando meus membros. Finalmente paro, exausto, e sento encharcado no chão da rua. Em algum tempo você chega andando com preocupação, põe a mão sobre meu ombro, então arrisca me envolver num abraço tão apertado que chego a sentir o seu coração bater, e pergunta com a voz que ainda há pouco embalava meu sono, sem saber que não há mesmo resposta,

- O que aconteceu?

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