No fim da praia há pedras que margeiam o canal. Do outro lado dele, outra praia, uma prainha pequena cheia de conchas aonde ninguém nunca vai. Tiro a camisa e a deixo sob uma pedra, mergulho no canal e o atravesso. A areia aqui é mais macia; aqui o mundo não faz nenhum sentido. Continuo a caminhar, ora de cabeça baixa, ora fitando o horizonte.
Não há absolutamente ninguém ao redor, isso me deixa em paz. Resolvo nadar outra vez, agora no mar. Ao me despir, dou uma última olhada ao redor: ninguém. Sorrio e entro na água morna, sinto-a me envolvendo, sinto seu gosto salgado. É inevitável que Vento no litoral toque na minha cabeça, como se eu estivesse dentro da música, e não ela dentro de mim.
A cada braçada o cansaço aumenta e fico mais contente de não estar em casa, naquela cidade doentia. Meus músculos começam a arder, então boio por um bom tempo pensando na vida. Em momentos assim, em que nada importa e não há mais preocupação, penso num sem-número de coisas. Sobre passado, amigos e quem é ou foi mais do que só uma amizade. Penso também no futuro, mas ele não é claro, então resolvo apenas me concentrar no aqui, agora, na calmaria desses instantes breves e serenos.
Saio da água cansado. O Sol já começa a se inclinar. Me visto e subo na pedra em que as ondas quebram. Basta sentar, olhar o pôr-do-sol e sentir a brisa me trazer pequenas gotas salgadas ao rosto.
Não tenho mais preocupações, tudo está tranquilo. Agora não preciso mais me importar, apenas atiro minhas decepções e mágoas de tudo e de todos ao vento.
E ele vai levando tudo embora...


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