Qualquer lugar é melhor do que este. O Sol não parece brilhar aqui, e os dias passam transparentes, líquidos, secam sem deixar muitos rastros além de um pouco mais de saturação e algumas rugas.
Saio às ruas e vejo o mundo real, muito longe de onde estou. Neste apartamento, porém, estão todos os rancores e mágoas que ainda tenho, junto destas pessoas que me recuso a nomear.
Então me refugio, enquanto posso, em qualquer coisa que seja mais semelhante à realidade, porque esta que vivo se mostra cada vez mais falsa e vazia. Isso me faz ler os livros vorazmente, porque as palavras que neles vejo me parecem mais vivas do que as que escuto sair da boca dos que me cercam e vigiam, dia e noite.
Basta!, penso, basta de dias vãos! Preciso dar o fora assim que puder. Minhas entranhas pedem por liberdade em silêncio, noite após noite, numa sucessão ininterrupta de pensamentos que anseiam por uma vida plena.
Olho para dentro de mim, entretanto, e sinto-me incapaz.
Agora um deles entra no quarto.
Vai começar tudo de novo.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
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Esbocei comentários aqui algumas vezes, mas apaguei todos. Entendi, só isso.
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