quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Em certas situações, responder 'nada' a uma pergunta sobre a natureza de seus pensamentos pode ser uma finta de um homem. Os seres amados sabem disso. Mas se a resposta for sincera, se expressar aquele singular estado de alma em que o vazio se torna eloquente, em que se rompe a corrente dos gestos cotidianos, em que o coração procura em vão o que lhe falta, ela é então um primeiro sinal do absurdo.

Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o "por quê" e tudo começa a entrar numa lassidão tingida pelo assombro. Começa, isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência. Ela o desperta e provoca sua continuação. A continuação é um retorno inconsciente aos grilhões, ou é o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a consequência: suicídio ou restabelecimento."

Eu entendo, só isso.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

Nessas noites de estrelas, ondas e conversas

a gente vê como o mundo é tão errado, como tudo devia ser diferente. Eu podia falar mais, mas acho que eu ia me encher de escrever. Só tá tudo tão... mundo. As coisas deviam ser diferentes, de um jeito que eu não consigo explicar. A gente pensa, pensa, pensa, mas traduzir momentos assim é algo que não consigo fazer. Sei lá. Talvez seja melhor me contentar em olhar as estrelas, ouvir o som do mar e ver a noite sem tentar escrever nada. As luzes da cidade, a baía, o céu, e isso é tudo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

E

no meio desses dias todos e dessa vida que vai, gauche que só ela, eu chego a algumas conclusões.
Chocolate é o melhor doce, não tem nada que chegue perto, nada digno de ser comparado ao mais maravilhoso derivado do cacau.
Lô Borges pode viciar, assim como Beirut.
Camus é melhor que Clarice - não, isso não é nada além do óbvio -; os livros e as ideias dele realmente foram dignos de um Nobel.
Por falar em Nobel, o Rubem Fonseca merece um, muito mais do que o Saramago.
A lei de Murphy é a mais pura verdade.
E essas são algumas das poucas certezas que eu tenho. Talvez elas mudem hoje ou amanhã, mas são as certezas de agora.
Quem se importa se tá tudo errado? Eu não.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

La vita è bella

É, pois é. Que blog mais diário, esse aqui. Há uns dias guardei cartas que recebi e algumas que não mandei numa caixa de madeira, quanta lembrança ali dentro. Tô a fim de voltar a escrever aqueles contos de antigamente. Vou ter uma espécie de folga acadêmica por um tempo e quem sabe eu até escreva algo, sem pressa nenhuma, sem obrigação nenhuma. Melhor assim. Vendo filmes, lendo livros - por falar em livros, preciso passar no sebo pra comprar mais -, rabiscando bobagens, a vida vai devagar, devagar e nem sempre. Até agora, pelo menos, as coisas vão tranquilas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Hoje foi um desses dias que passam sem eu perceber. O tempo inteiro no mesmo lugar, com o pensamento nas mesmas coisas, fora de tudo. É assustador esse êxito em me desligar do mundo e me concentrar em abstrações que não condizem com nada, que não fazem qualquer sentido. É assustadora, também, a idéia de não ter pensado tanto na vida, de não ter sonhado tanto quanto costumo. E esse insupotável sentimendo de ser um robô, de ser um covarde por só ter olhado pra baixo, pra esses papéis o dia inteiro. O que tem de errado? Eu sei, mas não quero ver, não quero suportar a verdade sobre mim mesmo; as mentiras já são um fardo demasiadamente incômodo. Passar horas a fio, perder as horas diante disso não faz bem, só esvazia de vida, de tudo. Tudo começa a pesar demais, a nausear. Fico tonto, as coisas só giram e giram e giram. Tenho enjôo, sinto essa vontade incontrolável de vomitar, meu estômago se embrulha e parece sumir.

A esperança de alívio já se tornou vaga. Será que vai ser sempre assim? Porque se for, não sei se quero continuar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Todo dia

no descompasso
dos meus passos
me faço
mais um entre os outros.